domingo, 10 de novembro de 2013

NOVA TÉCNICA PERMITE MUDANÇA DE SEXO EM ANIMAIS

Nova técnica estudada na Argentina permite mudança de sexo em animais
Estudo é realizado por Daniel Salamone e outros três pesquisadores.
Técnica pode modificar sexo de vacas, éguas e fêmeas de outras espécies.
Os animais poderão mudar de sexo na Argentina graças a uma nova técnica desenvolvida por um grupo de pesquisadores da Faculdade de Agronomia da Universidade de Buenos Aires.
Trata-se, basicamente, de um procedimento desenvolvido para clonar cromossomos e, a longo prazo, poder modificar o sexo de vacas, éguas e até fêmeas de outras espécies.
A ideia parece de ficção científica: selecionar um animal com características únicas, como uma vaca que tenha a melhor capacidade de produzir leite em qualidade e quantidade, e depois, cloná-la para que a cópia tenha sua mesma informação genética.
O detalhe é que, após uma troca de cromossomos sexuais, o animal seria um touro.
"Deste modo estaríamos aumentando a produção do número de filhotes, porque enquanto uma vaca com tratamentos hormonais muito caros pode gerar somente de 20 a 30 filhotes por ano, um touro produz mais de 10 mil", explicou à Agência Efe o diretor do Laboratório de Biotecnologia Animal da universidade, Daniel Salamone.
A modificação seria feita com fins produtivos, já que costuma existir uma preferência por filhotes que sejam fêmeas ou machos, dependendo do destino que se dará ao animal.
Os cromossomos que determinam o sexo são o X e o Y. Assim, se um indivíduo tem dois cromossomos X é fêmea; se tem apenas um X e um Y é macho.
"A longo prazo, nós buscaremos desenvolver um método para modificar esses cromossomos de uma fêmea: em vez de ter os XX originais, seria XY", explicou Salamone.
Desta maneira, os estudos desenvolvidos por ele e pelas pesquisadores Natalia Canel, Inés Hiriart e Romina Bevacqua permitem um avanço ainda maior nas tecnologias disponíveis atualmente para a reprodução de animais.
Até agora, só era possível manipular núcleos, enquanto, graças ao avanço do laboratório dirigido por Salomone, se pode manipular uma unidade menor ao trabalhar com cromossomos.
Nos últimos anos, a mesma instituição já tinha trabalhado em linhas de pesquisa distintas que também permitiram notáveis avanços para a biotecnologia animal.
O laboratório já participou de pesquisas que permitiram gerar as primeiras vacas clonadas e transgênicas da América do Sul, que são capazes de gerar hormônios de crescimento no leite.
Vários dos trabalhos desenvolvidos nos últimos anos já estão publicados. Há dois anos a instituição conseguiu clonar com sucesso cavalos pela primeira vez na região, e também foram os responsáveis pela clonagem de espermatozóides selecionando o sexo.
"O fato de trabalharmos com a sexualidade se tornou atrativo por podermos modificar cromossomos individuais", ressaltou Salamone.
Por causa disso, os pesquisadores começaram a questionar o que aconteceria se introduzissem um determinado número de cromossomos em um óvulo sem informação genética.
De acordo com o pesquisador, quando o procedimento foi realizado a equipe percebeu que o óvulo continuou com a sua capacidade de se multiplicar.
"O que queremos explorar como laboratório são as diferentes possibilidades para micromanipular os embriões", revelou Salamone.
"Desenvolvemos também um par de trabalhos em que clonávamos um espermatozóide e um óvulo e então poderíamos usá-lo para fertilizar ou reconstruir um embrião", acrescentou.
De acordo com os pesquisadores da Faculdade de Agronomia, a técnica para mudar o sexo das vacas também seria útil nos equinos, criando assim uma versão masculina de uma égua excepcional com a mesma genética que disputaria partidas de polo.
Fonte: G1
G1: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2013/11/nova-tecnica-argentina-permite-mudanca-de-sexo-em-animais.html - Da Agência Efe
Imagem: Julian Stratenschulte/DPA/AFP
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segunda-feira, 19 de agosto de 2013

CETOSE BOVINA

A cetose é considerada uma das principais doenças do gado leiteiro
Também chamada de acetonemia, acetonúria e hipoglicemia é uma desordem metabólica associada ao balanço energético negativo e à carência de carboidratos precursores de glicose, típicas do período do parto de vacas de elevada produção de leite. A sua ocorrência em rebanhos de países com elevada tecnologia em produção de leite alcança até 15 % das vacas e uma perda média aproximada de 70 litros de leite por lactação.
O excesso de mobilização da gordura é comum em vacas de alta produção, ocorrendo entre correspondendo ao período de Balanço Energético Negativo (BEN). O BEN é o período onde o consumo de matéria seca não é suficiente para suprir as necessidades do organismo, devido ao grande aporte de nutrientes para o leite. Dessa forma, ocorre mobilização das reservas corporais para fornecer energia para o metabolismo e produção de leite.
A alimentação com silagem de baixa qualidade (excesso de ácido butírico), dietas com pouca fibra e doenças que provocam uma diminuição na ingestão de alimentos, por exemplo, aumentam a chance da ocorrência de Cetose.
A vaca obesa possui depósitos de gordura intra-abdominais que limitam fisicamente sua capacidade de consumir alimento após o parto, quando a síntese láctea cria uma demanda forte de glicose e aminoácidos. O glicerol é usado para produzir glicose e os ácidos graxos livres são convertidos em corpos cetônicos. A mobilização de gordura excede a capacidade dos hepatócitos em realizar essas conversões, levando a um acúmulo de gordura no fígado. Embora, isso seja considerado normal em certo grau, na cetose severa o parênquima hepático é dominado por um acúmulo lipídico, o que reduz a capacidade de conversões metabólicas.
Os animais em boas condições de saúde utilizam suas reservas corporais para obtenção de energia. Contudo, há um limite para a quantidade de ácidos graxos que pode ser manipulada pelo organismo e utilizada pelo fígado. Quando se atinge esse limite, as gorduras não são mais queimadas para fornecer energia, começam a se acumular nas células do fígado como triglicerídeos, e alguns dos ácidos graxos são convertidos em cetonas.
Na cetose clínica há um odor característico de acetona na respiração, urina e, ocasionalmente, no leite. Os demais sintomas da doença são bastante inespecíficos. As contrações do rúmen não são regulares e o conteúdo ruminal é mais firme, com eliminação de fezes secas. Os animais apresentam apetite deprimido, rejeitando os grãos e a silagem, com consequente diminuição da produção de leite e perda de peso. Pode existir sinais nervosos de olhar fixo, ataxia, andar cambaleante ou em círculo, espasmos e cegueira parcial. Pode existir ainda incoordenação dos órgãos locomotores traseiros e curvatura da coluna vertebral. São observadas ainda, a perda de apetite, que pode chegar a 50%, principalmente por alimentos concentrados, assim como, anorexia e excitação, embora a apatia seja mais comum. Na cetose subclínica o animal não apresenta nenhuma manifestação. Alguns pesquisadores afirmam que esta é a forma mais prevalente da doença e que por falta de diagnóstico gera mais prejuízos econômicos que a forma clínica. Em ambos os tipos de cetose, pode haver um aumento no teor de gordura do leite. Dificilmente ocorrem casos de morte e a recuperação da vaca é gradual.
Em rebanhos com cetose, testes semanais no leite com fita indicadora de pH, cuja faixa normal fica entre 5,0 e 8,0, durante as primeiras semanas de produção, identificam vacas no início do problema. Em casos de cetose, o pH urinário, fica abaixo da faixa normal. A manutenção da diferença cátion-ânion dietética (DACD) negativa no período pós-parto pode levar à doença. O escore de condição corporal – ECC - tem sido uma ferramenta de manejo nutricional padrão para quantificar as reservas de energia das vacas, utilizando-se observação visual e palpação de áreas específicas de tecido adiposo subcutâneo. O método, embora subjetivo, é suficientemente sensível para identificar individualmente as vacas que necessitam de manejo alimentar especial.
Uma ação corretiva deve ser usada antes que o caso se torne severo. A administração de ácido propiônico aumenta a glicose no sangue e diminui os corpos cetônicos. A silagem com a umidade acima dos padrões poderá causar acentuados problemas de cetose, o que não ocorre com a silagem de boa qualidade, que contém pouco ácido alfa-hidrobutírico. Por isso, na dúvida, deve-se suspender este tipo de alimentação até o restabelecimento da normalidade. Uma das medidas básicas a ser tomada é a elevação da densidade energética da dieta no final do período seco, três semanas antes do parto, aumentando a relação concentrado e volumoso. Desta forma, a redução no consumo dos alimentos assim como o monitoramento do escore corporal são de suma importância. Para prevenir, devemos cuidar da alimentação da vaca antes do parto e no período seco. Como discutido anteriormente não é recomendável que as vacas estejam muito gordas no momento do parto porque a gordura irá para o sangue e poderá causar cetose. É conveniente fornecer concentrado aniônico nas últimas três semanas antes do parto, a fim de melhorar a qualidade das papilas ruminais e prevenir contra distúrbios pós-parto (retenção de placenta e hipocalcemia pós-parto). Deve-se fornecer dieta balanceada, suprindo as exigências em energia, pois os requerimentos energéticos aumentam 30% no pré-parto (formação do feto) e 70% no pós-parto (leite) comparados às necessidades de mantença. As vacas podem recuperar-se espontaneamente, porém há uma grande diminuição na produção de leite e perda de escore corporal. O tratamento é feito, utilizando-se 500 ml de glicose a 50%, durante três dias por via endovenosa e de 150 ml de propilenoglicol pela via oral e pelo mesmo período de tempo. Casos graves podem ter este tratamento associado ao uso de glicocorticóide e insulina (0,33 U/Kg de peso vivo a cada 12 horas), também durante três dias.
Fonte: Embrapa Tabuleiros Costeiros - Por Amaury Apolonio de Oliveira, Hymerson Costa Azevedo e Tânia Valeska Medeiros Dantas - Pesquisadores da Embrapa Tabuleiros Costeiros - Aracaju/SE.
Página Rural - http://paginarural.com.br/artigo/2417/cetose-bovina
Imagem: http://www.ruralpecuaria.com.br/2011/05/vaca-leiteira-doenca-cetose-disturbio.html
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sexta-feira, 3 de maio de 2013

VERMIFUGAÇÃO NA SECA

Como fazer a vermifugação correta na seca
O período da seca é o momento ideal para se fazer tratamentos estratégicos no rebanho a fim de reduzir a contaminação dos pastos.
A verminose no gado de corte é um fator de relevante importância para o desempenho produtivo do rebanho. O impacto pode ser sentido através da redução do ganho de peso, principalmente em algumas categorias como os animais jovens até os dois anos de idade e as fêmeas no periparto. Os prejuízos serão dependentes da Idade, raça, condição fisiológica do animal, da contaminação ambiental e do tipo de manejo, este último, quanto mais intensivo maior será a infestação dos animais.
Os prejuízos são resultantes dos nutrientes roubados pelos parasitas, dos nutrientes dispensados pelo animal no combate aos mesmos, a exemplo da resposta inflamatória que resulta em encapsulamento dos parasitas a nível intestinal formando pequenos nódulos, e do desenvolvimento da doença clínica caracterizada principalmente por anorexia (perda do apetite), além do aparecimento de doenças oportunistas.
Diversos gêneros parasitam o aparelho digestório, em especial a porção gastro-entérica, onde evidenciamos uma maior importância do Haemonchus spp., da Cooperia spp e do Trichostrongylus. Fatores nutricionais influenciam no grau de parasitismo dos animais. Dietas pobres em proteína diminuem a capacidade de resposta imunológica contra os parasitas, acarreta maior infestação animal e conseqüente aumento da contaminação dos pastos, tal fator torna-se relevante em animais criados a pasto, já que a maioria das pastagens tropicais apresentam deficiências.
Nas condições tropicais deveremos encarar o parasitismo como algo a se conviver, mas passiva de controle e de redução dos prejuízos causados quando economicamente viável os tratamentos empregados. A presença dos parasitas nas pastagens é dependente do clima, onde épocas do ano mais úmidas favorecem a persistência viável dos ovos e larvas no meio ambiente.
No estabelecimento da estratégia de controle deveremos levar em consideração a sazonalidade e as categorias mais sensíveis ao parasitismo. Tratamentos deverão ser realizados a fim de mantermos uma baixa contaminação das pastagens e infestação dos animais pelo maior tempo possível.
Quando nos referimos à categoria animal, os animais jovens são mais sensíveis. O período da desmama é um momento crítico, pois acarreta em redução da imunidade decorrente do estresse sofrido. Apesar de não haver riscos de óbitos, uma vermifugação nesse momento reduzirá a contaminação da pastagem. Essa mesma constatação será dispensada às vacas parturientes, onde no terço final de gestação ocorrerá uma redução natural da resposta imunológica. A vermifugação estratégica neste momento, além de reduzir a contaminação das pastagens, ajudará no aumento do índice de escore corporal das fêmeas e, conseqüentemente, na minimização dos riscos de problemas durante o parto e produção de um colostro de melhor qualidade, além de diminuir a infestação dos bezerros.
Animais destinados à terminação em pasto ou em confinamento apresentarão melhor desempenho na conversão alimentar quando desparasitados previamente, embora possam ser re-infestados ao longo do tempo.
À medida que a dissecação reduz a viabilidade de ovos e larvas nas pastagens, verificamos que durante o período seco do ano, o interior do corpo do animal é o melhor local para que os parasitas consigam sobreviver. Portanto, o período de seca será o momento ideal para que realizemos tratamentos estratégicos no rebanho a fim de reduzirmos a contaminação dos pastos no próximo período de chuvas e para facilitarmos o melhor aproveitamento da forragem que estará em escassez. Podemos realizar neste período três vermifugações: no início, meio e fim da estação seca da região.
No manejo preventivo de bicheiras do recém-nascido de corte é comum aplicarmos antiparasitários nos primeiros dias de vida, estes normalmente possuem efeito contra parasitas gastro-intestinais. Os bezerros poderão ser vermifugados aos três meses de idade quando será iniciada suas vacinações e posteriormente na desmama. Uma vermifugação semestral até os dois anos de idade deverá ser realizada após a desmama.
De nada adiantará traçarmos nossa estratégia de controle se falharmos na escolha e manejo dos vermífugos. A escolha do endectocida deverá obedecer a fatores como custo, particularidades de cada grupo químico e, fundamentalmente, sua eficiência no tratamento. Em geral não devemos utilizar mais que dois grupos químicos até que estes percam sua eficiência. Esta poderá ser avaliada por exames de fezes dos animais como a Contagem de Ovos por Grama (OPG) realizado por um médico veterinário ou laboratório especializado.
Algumas particularidades dos medicamentos devem ser observadas como a capacidade da abamectina de atravessar a barreira hemato-encefálica de animais jovens e acarretar no seu óbito, a não atuação sobre larvas de moscas de alguns vermífugos em épocas que podemos utilizar um que apresente esse efeito e a maior eficiência de vermífugos administrados de forma oral do que os injetáveis embora possuam um manejo mais demorado quando comparado aos vermífugos injetáveis. As informações oferecidas pelo fabricante deverão ser obedecidas estritamente para evitarmos sub e sobre-dosagens.
Fonte: Raul Mascarenhas é médico veterinário e pesquisador da Embrapa
Site: http://www.portaldbo.com.br/Portal/Conteudo/Artigos+Tecnicos/442,,Como+fazer+a+vermifugacao+correta+na+seca.aspx
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